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AMIR SILVA (Foz do Iguaçu-PR)

31/10/2014

Testemunho de seu convívio com o irmão Dong Yu Lan

A FÉ 

Em meados de 1985, viajando por várias cidades, aprendi muitos princípios espirituais com nosso irmão Dong.

Sendo um na oração
Em uma das primeiras viagens que fizemos a Assunção, Paraguai, estávamos debaixo de muita pressão, porque naqueles dias o governo, ainda sob o regime da ditadura, proibia todo tipo de reunião, de ajuntamento. Era o chamado “Estado de Sítio”; mas nosso irmão Dong, por amor a muitos irmãos que queriam ouvir a Palavra do Senhor, pediu que nos reuníssemos para orar por aquela situação. Estávamos todos orando, unânimes, com fervor, quando o irmão Dong, vendo um de nós distraído com alguma coisa e não estando atento às orações, pediu que parássemos um pouco e, naquele momento, deu uma palavra sobre a importância da unanimidade na oração e em nossas atitudes, mostrando que todos nós precisávamos estar atentos, orando unânimes, e não nos distraindo com outras coisas.

Pagar qualquer preço pela comunhão
Enquanto orávamos, chegaram os policiais e nos colocaram no chão, inclusive o irmão Dong, a quem perguntaram por que estávamos ali. Ele respondeu que queríamos nos reunir para falar a Palavra de Deus. Conduziram-nos, então, até uma delegacia, onde fomos recomendados a não nos reunir por aqueles dias, pelo fato de o governo haver decretado “Estado de Sítio”. Voltamos ao lugar onde estávamos, e seguimos orando. Naquela mesma noite, teríamos uma reunião, num salão que comportava 150 pessoas, e estávamos todos apreensivos sobre a incerteza de haver ou não a reunião. Havia muitos soldados do exército nas ruas, mas o irmão Dong estava firme, sabendo que muitos irmãos queriam ouvir a Palavra. Já éramos em torno de 70 a 80 pessoas naquele lugar, e os soldados do exército se preparavam para entrar e nos proibir de continuar ali, quando chegou uma comitiva da Guarda Nacional trazendo o embaixador de Taiwan, que era nosso irmão em Cristo, para ouvir a palavra que o irmão Dong ministraria. Agradecemos ao Senhor, pois nossa reunião foi realizada e, como se não bastasse, os integrantes da Guarda Nacional ficaram do lado de fora protegendo aquele ambiente para que não fôssemos molestados, permitindo, assim, que a Palavra do Senhor fluísse espontaneamente e com toda segurança. Aleluia!

Dar atenção a tudo e saber portar-se em cada ambiente com pessoas diferentes
Depois da reunião fomos convidados para jantar na casa do embaixador. Aprendemos com o irmão Dong como se  comportar em cada ambiente e como lidar com cada situação. Ele ajudou a cada um de nós os brasileiros, que o acompanhavam como se assentar à mesa, como cuidar de cada detalhe; ajudando-nos a proceder corretamente na casa de uma autoridade. O irmão Dong nos serviu o tempo todo, dando-nos o melhor, não se preocupando consigo mesmo, mas cuidando de todos.

Esquecido
Nessa mesma ocasião também fomos nos reunir na casa de um irmão. No final da comunhão o irmão Dong foi esquecido por todos nós, e teve de pular o muro da casa para poder voltar ao lugar onde estávamos alojados. Graças ao Senhor, depois disso, um irmão o tomou e o levou de moto até nós.

Apesar de esquecido por nós, seguia no Espírito servindo a todos
Certa vez, ao chegarmos à casa onde estávamos hospedados, por volta de meia-noite, eu e o irmão André tínhamos muita fome; então o irmão Dong foi pessoalmente para cozinha preparar arroz e ovo frito para nós e os demais irmãos que ali estavam.

Sendo enganado, mas não deixando de viver no espírito – invocando o nome do Senhor e abrindo portas pela simplicidade
O irmão Dong ficou sabendo que um grupo de irmãos, em uma cidade no interior do Paraguai, estava aberto à Palavra. Logo seguimos para essa cidade, pois o irmão Dong sempre pagou alto preço para ir a qualquer lugar onde tivesse alguém desejoso de receber a Palavra do Senhor. Ao chegar, percebemos que fomos enganados, pois nos haviam dito que naquele dia haveria uma conferência para que ele ministrasse a Palavra, entretanto, o que ocorria ali era o fim de uma festa de casamento. Todos nós ficamos constrangidos e começamos a murmurar, a reclamar. De repente, percebemos que o irmão Dong havia sumido; estávamos todos do lado de fora lastimando o ocorrido, quando ouvimos uma música, vindo de dentro da casa. Ao entrarmos, procurando pelo irmão Dong, o encontramos cantando e batendo palmas junto com aqueles irmãos que eram desconhecidos para nós. Como resultado dessa atitude de simplicidade de nosso irmão, as portas se abriram a nós e, por fim, marcaram uma comunhão com ele no dia seguinte.

Não discutir, mas suprir
No outro dia se reuniram muitos irmãos para ouvir a palavra do irmão Dong, e dentre eles estava o líder desse grupo, que demonstrou insatisfação pelo fato de, há pouco tempo, ter passado um irmão por ali, que, em nome do irmão Dong, havia estabelecido presbíteros em seu grupo sem o consultar. Então esse líder, muito nervoso perguntou ao irmão Dong: “O irmão fulano de tal, enviado por você na semana passada, veio para estabelecer presbíteros entre nós, você concorda?”. Nesse momento, o irmão Dong, com muita calma e paciência, respondeu-lhe: “Eu não enviei ninguém para fazer isso, inclusive quero aproveitar para fazer-lhe uma pergunta: Paulo escreveu a Timóteo dizendo que os diáconos devem guardar o mistério da fé. Por favor, me diga, o que é o mistério da fé?”. O líder ficou calado, não sabia o que dizer. Para não causar mais constrangimento a essa pessoa, o irmão Dong disse-lhe: “Eu também não sei tudo, mas posso dizer-lhe uma coisa…”. Então, passou a explicar-lhe sobre o mistério da Fé, falando da economia de Deus de uma maneira maravilhosa e esclarecedora, mostrando que a Fé é o conteúdo da economia de Deus. Disse-lhe também que, se um diácono deve ser conhecedor do mistério da fé, um  presbítero a ser estabelecido na igreja deve ter um nível de vida ainda superior. Com essas palavras supriu a todos, abrindo caminho para que o evangelho avançasse no Paraguai. Depois dessa comunhão, muitas igrejas foram levantadas naquele país.

Cuidando de cada centavo ofertado para a obra

Em 1991, após minha mudança para Foz do Iguaçu, recebi a visita do irmão Dong e do André, em que fui muito ajudado a cuidar dos recursos financeiros da obra e a valorizar cada centavo do que o Senhor nos deu. Ao amarrar uma caixa de livros para enviar a uma cidade, o irmão Dong, me disse: “Amir, da forma como você esta fazendo quem receber essa encomenda não poderá reutilizar a caixa nem a corda”. Então me pediu que desfizesse os nós, mas eu não consegui desfazê-los; ele me ensinou a maneira correta de faze-lo. E me disse que tudo na obra do Senhor deve ser valorizado e que devemos administrar da melhor maneira possível o dinheiro ofertado pelos irmãos; disse que até o jeito de amarrar uma caixa era importante, pois quem recebesse a encomenda poderia desfazer os nós e ainda reutilizar a caixa e as cordas para outra coisa. Isso me fez ver que em nosso serviço ao Senhor precisamos valorizar cada centavo ofertado pelos irmãos, atentando na maneira de usá-lo em prol de Sua obra.

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