Resultados da sua busca

ANDRÉ DONG (São Paulo-SP)

31/10/2014

Testemunho de seu convívio com o irmão Dong Yu Lan

São inúmeras as lições que aprendi e tenho aprendido no convívio com o irmão Dong. Vou procurar resumir meu depoimento, destacando apenas algumas.

1.       Um episódio muito interessante ocorreu em 1978, em Lima, no Peru. No ano anterior, no início de nossa participação na obra do Senhor no Chile, o irmão Dong foi apresentado a um pastor chamado Juan Delgado, que ficou muito empolgado com a palavra ministrada sobre a visão do reino, e manifestou, então, o desejo de que seu colega peruano também ouvisse a respeito dessa preciosa visão. O irmão Dong aceitou o convite para conhecê-lo e no ano seguinte, viajou até onde residia o referido irmão. Era no distrito de Tahuantinsuyo, na periferia de Lima, Peru, bem longe do centro da cidade. Depois de desembarcar no aeroporto, junto com Juan Delgado, tomamos um ônibus lotado até o ponto final deste. Fazia muito calor, mas ainda era necessário subir a pé um morro, por um caminho de terra, cheio de pedras, para, finalmente chegarmos à casa do irmão. O lugar era muito simples, de pessoas bem carentes; as casas em geral eram sem teto, porque naquele lugar quase não chovia o ano todo. Entretanto, assim que nos instalamos na casa do irmão, começou a trovejar, um acontecimento raro por lá. Com o barulho do trovão, as pessoas assustadas, saíam às ruas para ver o que estava acontecendo; corriam de um lado para outro, sem rumo. Nesse momento, o irmão anfitrião disse: “O Senhor trouxe o irmão Dong aqui no Peru, porque Deus deseja realizar grandes obras neste país, e creio que o trovão é um sinal de Deus”. Realmente, a partir desse pequeno começo, grandes coisas ocorreram entre os filhos de Deus ali. Devido ao desprendimento do irmão Dong e sua disposição para ajudar qualquer um que precisasse, ele não media esforços: ainda que fosse apenas uma pessoa, ele ia atrás até encontrá-la. Por causa desta pequena semente plantada naquela época, as igrejas levantadas no Peru permanecem firmes, saudáveis e crescem constantemente. Por um lado, as igrejas foram geradas com muito sofrimento, tribulação e dificuldade, mas, por outro, por meio da persistência e perseverança em oração e ação, hoje há muitos frutos permanentes para a glória e honra de nosso Deus. Só podemos louvar o Senhor pela atitude do irmão Dong de fidelidade e amor aos filhos de Deus que tornou possível essa realidade. A lição que aprendemos aqui é que se apresentarmos nosso corpo em sacrifício vivo, Deus pode realizar grandes coisas por meio de nós. É como uma semente que cai na terra, morre e, em ressurreição, brota, germina, cresce, floresce e, finalmente, frutifica.

2.      Certa vez, em meio a uma grave crise econômica do Chile, onde a comida se tornara escassa nas mesas da maioria do povo chileno, o irmão Dong foi visitar os irmãos naquele país para encorajá-los com a Palavra de Deus. Nessa ocasião ele ficou hospedado na casa do irmão Saul, que morava num conjunto habitacional construído pelo governo, que consistia em vários prédios pequenos de cinco andares cada. Esse irmão morava no quinto andar, ou seja, no último. Na hora da refeição, tinha apenas alguns pãezinhos sobre a mesa; o irmão Dong orou, agradeceu ao Senhor pelo alimento. Nesse instante um dos filhos do irmão colocou a mão no prato para tomar um dos pães. O pai logo o tirou de sua mão e disse ao filho: “Não pode pegar, esse alimento é só para o irmão Dong e seu tradutor”. Quando o irmão Dong ouviu aquilo, angustiou-se no coração e ofertou uma quantia para que o irmão Saul fosse comprar mais comida para todos da casa. Esta história serve para ilustrar como foram difíceis os primórdios da obra do Senhor no Chile.

3.      Na década de 80, o Chile sofria uma forte recessão na economia; não havia trabalho e a taxa de desemprego era altíssima. Isso afetava diretamente os irmãos da igreja que passaram anos sem nenhuma perpectiva de melhora. Em suas visitas àquele país, o irmão Dong sempre procurou ajudar os irmãos financeiramente, com ofertas pessoais, particulares, e ainda dizia que não lhes era necessário ofertar, pois, mal tinham condições de se manter, visto que com grande dificuldade cuidavam das necessidades básicas da família. Muitos irmãos entraram em programas do governo para varrer as ruas, cuidar das praças e jardins. Por esse trabalho eles recebiam a metade de um salário mínimo. Até que um dia o irmão Dong percebeu que era um erro seu não incentivar os irmãos a ofertar, devido à precária condição financeira que se encontravam. Ele passou a falar-lhes que o ato de ofertar é um direito de todo cristão, e não apenas uma obrigação: ofertar não é uma perda, mas um ganho. Disse-lhes também que se os irmãos do Chile começassem a ofertar com fidelidade ao Senhor, a situação econômica de cada um iria melhorar, e, até mesmo a economia do país seria beneficiada em função dessa nova postura deles com respeito a esse assunto. Os irmãos, então, começaram a praticar, não com valores expressivos, mas de acordo com as posses de cada um. Depois de algum tempo, a situação financeira de cada irmão mudou para melhor, e após alguns anos, a economia do país alavancou, tendo um progresso nunca imaginado nem visto antes. Hoje o Chile é considerado o melhor país no índice de desenvolvimento humano da América do Sul e se tornou um país rico. Uma simples mudança de atitude favoreceu os irmãos chilenos espiritual e materialmente, interferindo até mesmo na economia e desenvolvimento da nação onde vivem.

4.      Certa vez, o cooperador responsável por uma determinada região, explicou ao irmão Dong sobre as dificuldades financeiras das igrejas e, por fim, solicitou o apoio financeiro da “obra”, ou seja, do irmão Dong. Depois de ouvir toda a explanação, o irmão Dong respondeu-lhe com muita calma: “Eu não possuo recursos financeiros suficientes para atender às necessidades de todas as igrejas dessa região, mas tenho dois joelhos, isto é, posso cooperar me prostrando e orando mais ao Senhor em favor de vocês”. Essas palavras me ajudaram muito e têm norteado meu serviço ao Senhor, pois tenho visto que tudo é iniciado por Deus; que eu preciso me curvar mais diante Dele em oração. A obra na qual estamos engajados não é de homens, mas de Deus. Louvado seja o Senhor!

5.      Um dia chegamos ao local de reuniões de uma igreja, depois de uma longa e cansativa viagem de ônibus, e encontramos todas as cadeiras desarrumadas. Por estar muito cansado sentei-me um pouco. O irmão Dong, pelo contrário, começou a arrumar as cadeiras para que os irmãos, ao chegar, pudessem se acomodar e desfrutar da reunião. Enquanto isso, eu estava lá no meu cantinho só observando, quando ele me disse: “Se você deseja se tornar um presbítero na igreja, deve pensar sempre nos irmãos e servi-los”. Essas palavras atravessaram o meu coração como um punhal levando-me a um profundo arrependimento. Essa também foi uma das grandes lições que aprendi convivendo com nosso irmão e que norteia a minha vida até hoje. Isso ocorreu em 1978, em Concepción, Chile. Eu tinha apenas 26 anos de idade.

6.      Por volta de 1982, três jovens cristãos bolivianos vieram estudar em São Paulo. Participaram de uma de nossas reuniões da igreja e nos deram o endereço e o número de telefone de um dos líderes do grupo com o qual se reuniam na Bolívia. Apenas com essa informação, o irmão Dong foi buscar comunhão com esse líder. Sem saber nada sobre aquele país, nós viajamos para lá e nos hospedamos em um hotel bem simples e de lá fizemos contato por telefone com o referido líder, mas ele não abriu as portas para que o irmão Dong tivesse comunhão com todos os irmãos sendo-lhe permitido falar apenas com os líderes. O irmão Dong foi encontrar-se com eles e lhes explicou que sua visita era simplesmente para comunhão na Palavra. Mesmo assim ele foi rejeitado pelo líder principal. Contudo, havia alguns irmãos presentes nessa reunião que se interessaram pela Palavra e, de forma discreta, foram até o hotel, onde estávamos hospedados, buscar mais comunhão conosco. Após a comunhão, eles tiveram mais clareza acerca da visão espiritual compartilhada pelo irmão Dong, e até hoje os irmãos em Santa Cruz de La Sierra permanecem firmes, vivendo intensamente a vida da igreja, reunindo-se nos espaços BooKafé da cidade. A lição que aprendi com o irmão Dong, nesse episódio, foi que muitas vezes, por meio de um simples contato, uma porta está sendo aberta por Deus e, mesmo rejeitados inicialmente, não devemos desanimar, mas persistir e buscar comunhão com os irmãos, a fim de transmitir-lhes com fidelidade a visão e a revelação que recebemos do Senhor.

As propagandas exibidas neste site são baseadas nos interesses do usuário, coletadas pelos mecanismos de busca durante a navegação, por isso o conteúdo delas pode variar.