O evangelho de Deus tem dois aspectos: o da graça e o do reino (Atos 20:24-25). No tocante ao evangelho da graça, o ponto principal é que Cristo veio ao mundo para morrer na cruz por nós, pecadores, e então nos salvar.

Quando cremos com o coração e confessamos com a boca que Jesus é o Senhor, fomos salvos em nosso espírito humano, que estava mortificado como resultado da queda ocorrida no jardim do Éden (Romanos 10:9- 10; Efésios 2:1). Ao crermos no Senhor, recebemos também a promessa de que nosso corpo corruptível seria transformado num corpo de glória na segunda vinda de Cristo (Filipenses 3:20-21).

De acordo com a revelação da Bíblia, o homem é um ser tripartido. Possui um espírito, um corpo e também uma parte chamada alma (1 Tessalonicenses 5:23). O evangelho da graça salvou nosso espírito e nos garante a salvação de nosso corpo (2 Coríntios 1:10). No entanto, para que obtenhamos o fim de nossa fé, precisamos salvar nossa alma (1 Pedro 1:9). Quando isso ocorrer, teremos a salvação completa, que nos qualificará a reinar com o Senhor Jesus por mil anos (Apocalipse 20:4). A salvação da alma está totalmente relacionada com o evangelho do reino. E o ponto principal desse evangelho é o negar a si mesmo.

Em Mateus 16:24, temos a passagem da Bíblia que mais explica para nós o que é o evangelho do reino. É o evangelho que apresenta aos cristãos que depois de salvos, eles precisam renunciar a si mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor Jesus; assim crescerão.

O evangelho da graça se resume em Cristo ter tomado a cruz por nós; já segundo o evangelho do reino, nós tomamos a cruz para a salvação de nossa alma.

Os versículos relacionados com a volta do Senhor, no livro de Mateus, têm como objetivo fazer-nos entender que inicialmente Ele virá sobre as nuvens, com poder e muita glória. Essa vinda do Senhor nos ares se chama parousía, quando Ele executará Seu julgamento.

Em 1 Pedro 4:17, lemos: “Porque a ocasião começar o juízo pela casa de Deus é chegada”. Embora a segunda vinda de Cristo se destine ao julgamento em Seu tribunal, se tivermos a vida de Deus crescida e amadurecida, à luz desse versículo, já teremos sido julgados por Deus. Mas, se durante nossa vida, nossas obras ou atos não forem condizentes com a vontade de Deus, Ele irá nos julgar e disciplinar naquele dia (Mateus 16:27).

Em Mateus 16:27 lemos: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras”. Nesse versículo o Senhor nos diz que voltará e que Sua vinda será acompanhada de um julgamento. Mas, qual será o critério de julgamento utilizado pelo Senhor naquele dia? Para saber disso, precisamos considerar o contexto que precede o versículo 27 de Mateus 16.

Depois de revelar a igreja, o Senhor Jesus mostrou como deveriam viver aqueles que fossem segui-lo. Ele disse que deveriam negar a si mesmos, tomar a cruz e perder a vida da alma. Resumindo, isso é negar a vida da alma. Isso significa que Ele julgará se negamos a vida da alma ou não. Se

tivermos a vida da alma totalmente negada, receberemos galardão (Mateus 16:24).

Contudo, se nossas obras forem provenientes de nossa vida da alma, seremos condenados por Deus a perder a glória do reino, que durará mil anos, e sofreremos nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes (Mateus 24:51; 25:30).

Quando o Senhor voltar, em Sua parousía, muitos ainda estarão vivos. O Senhor Jesus trará, em Sua companhia, os cristãos que dormem. Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e depois os que estiverem vivos serão arrebatados juntamente com eles e se encontrarão com o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:14-17).

Em sua Primeira Epístola, Pedro escreveu: “Os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos” (1 Pedro 4:5). Isso significa que todos os filhos de Deus, sem exceção, passarão pelo julgamento de Cristo.

Por um lado, o Senhor é quem determinará quem receberá a recompensa de reinar com Ele ou a disciplina de padecer nas trevas e ranger de dentes. Por outro lado, o Senhor simplesmente irá sentenciar conforme as escolhas que cada um fizer hoje. Ninguém pode nos condenar às trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes, senão, nós mesmos. Eu escolho se nego ou não minha vida da alma, eu escolho se tomo ou não a cruz. Se hoje nego a minha vida da alma, o Senhor me recompensará com o galardão de reinar com Ele. Se opto por não negar minha vida da alma, o Senhor, no dia do juízo, não terá escolha, senão me disciplinar. (Mateus 7:21-23).

Por fim, somente participaremos da glória do reino como recompensa, se decidirmos hoje perder a vida da alma. Como o próprio Senhor disse: “Quem quiser perder a vida [da alma] por minha causa, achá-la-á” (Mateus 16:25).

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