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O EXERCÍCIO DO PERDÃO

10/04/2020

O aniversário de bodas foi anunciado com pompa para familiares e amigos. Aquele casal estava completando cinco décadas de matrimônio. Filhos, netos, bisnetos e agregados estavam convidados para comemorar a data em uma alegre festa familiar. A notícia chegou à imprensa local e, em pouco tempo, uma jornalista visitou a residência da família para fazer a seguinte pergunta ao casal: “Qual o segredo da longevidade do casamento de vocês?” Marido e esposa estavam sentados lado a lado, de mãos dadas. Na cabeça, os cabelos já brancos e, no rosto, um sorriso de cumplicidade. Responderam, com simplicidade, que não havia segredo, a não ser pelo fato de que sempre se trataram com amizade, respeito, carinho e cumplicidade durante todos esses anos. A resposta dada pelo casal pode parecer singela demais frente aos problemas que enfrentamos na vida cotidiana, mas retrata exatamente o que necessitamos praticar em relação a nosso cônjuge para desfrutarmos um casamento feliz e duradouro. Devemos tratar um ao outro como amigos, e não como inimigos. Convém pautar toda a nossa conduta, como casal, por esse princípio; do contrário, estaremos destruindo a harmonia do casamento. Quando, por exemplo, a esposa evidencia os defeitos do marido na presença de outras pessoas, não está somente deixando de ser sua amiga, mas também o desrespeitando. Quando, por outro lado, o marido deixa de cooperar com a esposa nas atividades de casa, apenas exigindo ser servido por ela, não está agindo como amigo, mas se tornando um fardo para o relacionamento. O carinho também é imprescindível ao bom relacionamento conjugal. Isso significa, por exemplo, que nosso modo de falar com o cônjuge não pode ser irrefletido ou inconsequente. Embora, muitas vezes, a literalidade das palavras não seja, por si só, ofensiva, a maneira de colocarmos a voz e a ocasião que escolhemos para fazê-lo pode evidenciar a presença de ressentimento ou mágoa. Como consequência direta dessa atitude, o resultado não será outro, senão mais ressentimento ou mágoa. Também pode ocorrer um desgaste no casamento em razão do grande número de exigências que um cônjuge impõe ao outro.

Mesmo que não se trate de coisas importantes, mas de pequenos esquecimentos ou descuidos nos quais surpreendemos nosso cônjuge, devemos ser tolerantes e não transformar pequenos problemas em graves discussões. A cumplicidade saudável está presente em um relacionamento quando, por exemplo, marido e esposa perdoam suas pequenas falhas silenciosamente, em vez de ostentarem cada pequeno sacrifício em favor do outro como se fosse um troféu. Se episódios do nosso casamento se enquadram em alguma dessas situações negativas, existe um dado para o qual devemos atentar: a fim de avançarmos juntos, precisamos esquecer os erros do passado. Essa atitude só pode ser adotada com o contínuo exercício do perdão. Admitimos que, como seres humanos falhos e limitados, temos pouca capacidade de perdoar. Por outro lado, o fato de estarmos ligados por toda a vida a outra pessoa exige de nós essa capacidade, em grande medida. Em Mateus 18, o Senhor disse que onde houvesse pelos menos duas pessoas reunidas em Seu nome, Ele estaria no meio delas (v. 20). Imediatamente após isso, Pedro fez uma pergunta relativa à capacidade de perdoar. Isso indica que, a partir do momento em que deixamos de estar sozinhos, surge a necessidade de perdoarmos uns aos outros. Na ocasião, Pedro perguntou até quantas vezes seria necessário perdoar a um irmão; ele pensou que sete vezes seria o suficiente. O Senhor, porém, lhe mostrou que a necessidade de perdoar corresponde a um número múltiplo, muito superior ao que estamos dispostos a fazer (v. 22).

Aparentemente, essa perspectiva indica um impasse em nossas mãos; mas, graças ao Senhor, Ele solucionou esse problema! No Evangelho de João vemos que o primeiro ato do Senhor ressurreto, ao aparecer a Seus discípulos, foi soprar sobre eles o Espírito Santo (20:22). Após isso, Ele lhes falou sobre a necessidade de perdoarem os pecados uns dos outros (v. 23). Essa passagem revela que o Espírito Santo nos dá ampla capacidade de perdoar, na proporção do rico padrão apresentado pelo Senhor Jesus. O apóstolo Pedro, em sua maturidade, praticou a lição que o Senhor lhe ensinou, tendo ele próprio registrado as seguintes palavras: “Acima de tudo, porém,tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4:8). Portanto, vamos nos encher do Espírito, para ampliarmos a nossa capacidade de perdoar as falhas do nosso cônjuge, esquecendo-as. Assim, o casamento não será sustentado pelo amor humano e limitado, mas estará fundamentado no amor de Deus, que é rico em perdoar, longânimo e suficiente para sustentar a verdadeira alegria de um casamento duradouro.

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