Enquanto as doze tribos de Israel se deslocavam de suas cidades para adorar a Deus no templo, aproveitavam o tempo para cantar, louvar, orar e falar as palavras de Deus uns aos outros. Os salmos de 120 a 134, conhecidos como cânticos de romagem, revelam as práticas do povo durante o trajeto.

Certamente os que se movimentavam em direção a Jerusalém enfrentavam muitas dificuldades. Uns mais que outros. Os casados mais que os solteiros, e os pais mais que os apenas casados. Os pais, além de roupas, alimento, água, animais destinados ao sacrifício, tinham de levar também os filhos.

Todos sabem que não é simples conduzir crianças, sobretudo quando as mãos estão ocupadas. Elas são lentas, dispersas e escapam muito facilmente. Por essas razões, a viagem para os pais era mais trabalhosa. Para chegar ao destino, tinham que passar por caminhos pedregosos; subir e descer determinados trechos e, quem sabe, enfrentar feras. Mas, mesmo assim, levavam os filhos. A nova geração precisava aprender a adorar, saber quem era seu Deus. Sendo assim, a criançada não podia ficar em casa, ou em casa de parentes, até mesmo porque todo mundo subia a Jerusalém. Desse modo, os filhos precisavam seguir viagem com os pais. Não resta dúvida de que nessa romagem o aprendizado era muito marcante. Os filhos aprendem mais ao ver a consagração dos pais ao Senhor do que ao ouvir os sermões deles.

Mesmo sendo difícil fazer o percurso com os filhos, os pais não reclamavam, pelo contrário, em uma só voz cantavam um cântico que ao longe podia ser ouvido: “Herança do Senhor são os filhos; fruto do ventre, seu galardão” (Salmos 127:3a). Os pais agiam assim porque sabiam exatamente o que os filhos representavam: eles eram preciosos, a herança que Deus lhes tinha dado, o galardão que precisava ser guardado. Eram filhos que necessitavam aprender, no dia a dia, o que era servir e amar o Senhor.

Imaginem o que essas viagens significavam para aqueles filhos! Deviam ter um sentido de aventura, prova de fé, ensinamento e um grande aperfeiçoamento. Se nossos filhos vão ser fortes no Senhor vai depender bastante do que eles experimentaram, dos testes que passaram, das lições que aprenderam, das dificuldades que tiveram que superar com os pais. Apesar de essas peregrinações dos israelitas representarem o contexto de uma tradição, de um ritual, elas reuniam muitas condições suficientes para forjar neles um caráter adequado e selá-los definitivamente como peregrinos em busca da pátria que tem fundamento.

Os pais nunca devem abrir mão de levar os filhos às reuniões da igreja. Não é fácil, por exemplo, despertar cada um, alimentar, vestir, depois enfrentar o trânsito e seguir debaixo de sol, chuva, tempo quente ou frio para ir a uma reunião com os irmãos. Mesmo assim, leve-os. No caminho, fale de como Deus os livrou do mundo, comente que Deus os tem protegido e que a bênção do Senhor é o guarda chuva deles. Isso é importante para imprimir neles o sentido da vida e o que significa viver debaixo dos cuidados do Senhor.

Pais, continuem – sempre com seus filhos – seguindo em direção a Jerusalém!

 

Assine já o Jornal Árvore da Vida. Para assinar Clique Aqui